sábado, 27 de novembro de 2010

Lavar louça à mão gasta 10 vezes mais água do que na máquina

Os portugueses gastam até dez vezes mais água na lavagem de louça à mão do que na máquina, sendo a Península Ibérica a região que mais água e energia consome nesta tarefa, revela um estudo alemão.



O estudo da Universidade de Bona foi realizado em sete países europeus - Portugal, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Turquia, República Checa e Polónia - e concluiu que os habitantes da Península Ibérica são os que mais gastam água e energia a lavar louça.
Os investigadores sujaram 140 peças com vários tipos de comida (ovos, chá, leite, carne e margarina, entre outros) e lavaram depois a louça medindo o consumo de água, energia, tempo de duração, quantidade de detergente utilizado e grau de limpeza das peças.
Os testes revelaram que lavando as peças à mão, Portugal e Espanha consumiam 170 litros de água, contra uma média de 103 litros por lavagem nos sete países estudados, sendo a Dinamarca o país mais poupado (46 litros).
No caso da lavagem à máquina, o consumo baixava para 15 litros (programa normal) ou 22 litros (programa intensivo).
Comparando a lavagem à mão com a da máquina, o estudo demonstrou que em Portugal, o consumo de água era dez vezes superior no primeiro caso, bastante acima da média europeia.
No que respeita à média europeia, o consumo de água na lavagem à mão era quatro vezes superior ao da lavagem à máquina, sendo também esta forma de limpeza mais eficaz no que respeita ao consumo de energia (o gasto desceu para metade na lavagem à máquina com programa normal).
O consumo de energia também foi superior em Portugal e Espanha, atingindo 4,7 quilowatts/hora face a uma média europeia de 2,5 quilowatts/hora.
Quanto ao índice de limpeza de peças, todas as regiões apresentaram valores semelhantes, excepto na Grã-Bretanha e Inglaterra, os menos «limpos».
Os investigadores alemães concluíram ainda que a louça lavada na máquina fica mais limpa do que se for lavada à mão e que o electrodoméstico consome a mesma quantidade de água independentemente do número de peças que lava.
A Quercus confirma o estudo da Universidade de Bona e considera ambientalmente mais correcto usar a máquina de lavar.
Dados recolhidos pela associação ambientalista sugerem que lavar louça com a torneira meio aberta durante 15 minutos representa um consumo de, aproximadamente, cem litros de água, enquanto uma máquina de lavar com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta apenas 40 litros ou, nalguns casos, até menos.
Em Portugal, 30% dos lares têm máquinas de lavar louça.







Diário Digital / Lusa


Dicas simples para economia no consumo de água em Casa

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
Gastar mais de 120 litros de água por dia é jogar dinheiro fora e desperdiçar nossos recursos naturais. Veja algumas dicas de como economizar água  e dinheiro - sem prejudicar a saúde e a limpeza da casa e a higiene das pessoas.

No banheiro
Banho de 15 minutos? Olha o Nível!
O banho deve ser rápido. Cinco minutos são suficientes para higienizar o corpo. A economia é ainda maior se ao se ensaboar fecha-se o registro. A água que cai do chuveiro também pode ser reaproveitada para lavar a roupa ou qualquer outra atividade da casa. Para isso, deve-se colocar um balde ou bacia embaixo para armazenar aquela água.
Hora do banho
Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Se fechamos o registro, ao se ensaboar, e reduzimos o tempo para 5 minutos, o consumo cai para 45 litros.
No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência. Com os mesmos cuidados que com a ducha, o consumo cai para 15 litros.
Ao escovar os dentesSe uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.
Lavar o rosto
Ao lavar o rosto em um minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. A dica é não demorar.
O mesmo vale para o barbear. Em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia o consumo cai para 2 a 3 litros.
Descarga e vaso sanitário
Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa, pois ela gasta muita água. Uma bacia sanitária com a válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de
acionamento 50% menor para efetuas a limpeza, neste caso pode-se chegar a volumes de 6 litros por descarga.  Quando a válvula está defeituosa, pode chegar a gastar até 30 litros. Mantenha a válvula da descarga sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
Lugar de lixo é no lixo. Jogando no vaso sanitário você pode entupir o encanamento. E o pior é que o lixo pode voltar pra sua casa.


Na cozinha
Ao lavar a louça, primeiro limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira novamente para novo enxágüe. Só ligue a máquina de lavar louça quando ela estiver cheia.
Numa casa, lavando louça com a torneira meio aberta em 15 minutos, são utilizados 117 litros de água. Com economia o consumo pode chegar a 20 litros.
Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros. O ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia.
Na higienização de frutas e verduras utilize cloro ou água sanitária de uso geral (uma colher de sopa para um litro de água, por 15 minutos). Depois, coloque duas colheres de sopa de vinagre em um litro de água e deixe por mais 10 minutos, economizando o máximo de água possível.
Você sabia que ao se utilizar um copo de água, são necessários pelo menos outros 2 copos de água potável  para lavá-lo. Por isso, combata o desperdício em qualquer circunstância.

Área de serviço
Junte bastante roupa suja antes de ligar a máquina ou usar o tanque. Não lave uma peça por vez.
Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana.
Se na sua casa as roupas são lavadas no tanque, deixe as roupas de molho e use a mesma água para esfregar e ensaboar. Use água nova apenas no enxágüe. E aproveite esta última água para lavar o quintal ou a área de serviço.
Ao lavar a roupa, aproveite a água do tanque ou máquina de lavar e lave o quintal ou a calçada, pois a água já tem sabão.
Lavar roupa
No tanque, com a torneira aberta por 15 minutos, o gasto de água pode chegar a 279 litros. O melhor é deixar acumular roupa, colocar a água no tanque para ensaboar e manter a torneira fechada. E que tal aproveitar a água do enxágüe para lavar o quintal?
A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com a capacidade total.
Jardim e piscina
Use um regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira.
Ao molhar as plantas durante 10 minutos o consumo de água pode chegar a 186 litros. Para economizar, a rega durante o verão deve ser feita de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã. Mangueira com esguicho-revólver também ajuda. Assim, pode-se chegar a uma economia de 96 litros por dia!
Se você tem uma piscina de tamanho médio exposto ao sol e à ação do vento, você perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação, o suficiente para suprir as necessidades de água potável (para beber) de uma família de 4 pessoas por cerca de um ano e meio aproximadamente, considerando o consumo médio de 2 litros / habitante / dia. Com uma cobertura (encerado, material plástico), a perda é reduzida em 90%.


Calçada e carro
Adote o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio da sua casa.
Lavar calçada com a mangueira é um hábito comum e que traz grandes prejuízos. Em 15 minutos são perdidos 279 litros de água.

Se houver uma sujeira localizada, use a técnica do pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça.

Use um balde e um pano para lavar o carro ao invés de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem (época do ano em que chove menos).

Muita gente gasta até 30 minutos ao lavar o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzir, basta lavar o carro somente uma vez por mês com balde. Nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.

Você pode cuidar do planeta em casa!

Produtos que mais poluem os rios, lagos e mares:
detergentes
óleos de cozinha
óleos de automóveis
gasolina
produtos químicos usados em indústrias
tintas
metais pesados (chumbo, zinco, alumínio e mercúrio).


 
Os principais fatores de deteriorização dos rios, mares, lagos e oceanos são: poluição e contaminação por produtos químicos e esgotos. O homem tem causado, desde a Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), todo este prejuízo à natureza, através dos lixos, esgotos, dejetos químicos industriais e mineração sem controle.
Em função destes problemas, os governos com cosnciência ecológica, tem motivado a exploração racional de aqüíferos (grandes reservas de água doce subterrâneas). Na América do Sul, temos o Aqüífero Guarani, um dos maiores do mundo e ainda pouco utilizado.Grande parte das águas deste aqüífero situa-se em subsolo brasileiro (região sul).
Pesquisas realizadas pela Comissão Mundial de Água e de outros órgão ambientais internacionais afirmam que cerca de três bilhões de habitantes em nosso planeta estão vivendo sem o mínimo necessário de condições sanitárias.Cerca de um milhão não tem acesso à água potável. Em razão desses graves problemas, espalham-se diversas epidemias de doenças como diarréia, leptospirose, esquistossomose, hepatite e febre tifóide, que matam mais de 5 milhões de pessoas por ano, sendo que um número maior de doentes sobrecarregam os hospitais e postos de saúde destes países.

Busca de soluções
Com o intuito de buscar soluções para os problemas dos recursos hídricos da Terra, foi realizado no Japão, entre 16 e 23 de março de 2003, o III Fórum Mundial de Água. Políticos, pesquisadores e autoridades de diversos países aprovaram vários documentos que visam a tomada de atitudes para resolver os problemas hídricos mundiais. Estes documentos, reafirmam que a água doce é extremamente importante para a vida e saúde das pessoas e defende que, para que ela não falte no século XXI, alguns desafios devem ser urgentemente superados: o atendimento das necessidades básicas da população, a garantia do abastecimento de alimentos, a proteção dos ecossistemas e mananciais, a administração de riscos, a valorização da água, a divisão e a eficiente administração dos recursos hídricos do planeta.
Embora muitas soluções sejam buscadas em esferas governamentais e em congressos mundiais, no dia-a-dia todas as pessoas podem colaborar para que a água doce não falte no futuro. A preservação, economia e o uso racional da água deve estar presente nas atitudes diárias de cada cidadão. A pessoa consciente deve economizar, pois o desperdício de água doce pode trazer perigosas conseqüências num futuro pouco distante.
fonte: http://www.todabiologia.com/ecologia/poluicao_da_agua.htm

 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ÁGUA: O QUE REALMENTE É NECESSÁRIO FAZER?

Tomar banhos mais curtos, evitar vazamentos em torneiras e instalações hidráulicas, reutilização da água. O que realmente é necessário fazer?

O geólogo Pedro Jacobi apresenta mitos e verdades sobre a falta água para o consumo em seu site http://www.geologo.com.br/aguahisteria.asp.

Veja um resumo abaixo:

1. O Brasil é um país abundante em água. O problema da falta de água é um problema de gerenciamento por parte do governo. O consumo excessivo não é a causa da falta de água potável.

Um dos exemplos, somente a precipitação ocorrida na Grande São Paulo de janeiro a março e suficiente para suprir o consumo desta cidade em um ano.

2. A diminuição da água potável vem em razão da poluição. Ao invés de estimular a diminuição do consumo de água, o governo deveria criar leis mais severas para quem polui a água. Outro ponto importante é o investimento em transporte, distribuição e tratamento da água nos centros urbanos.




Conclusão: A água da terra não está acabando. Na realidade a água da superfície terrestre pode estar aumentando pela adição de água vulcânica. O valor da água deverá aumentar consideravelmente pois existem países carentes que terão que utilizar tecnologias caras ou importar água de países ricos. O Brasil não deverá ter problema de falta de água se os governantes investirem adequadamente no gerenciamento, armazenagem, tratamento e distribuição das águas. Evitar a poluição das águas deve ser considerada a prioridade número um dos Governantes.

Conflitos Internacionais pelo "Ouro Azul"

Estudiosos apontam que a água pode ser motivo de conflitos internacionais no futuro.
 
The Nation – Nova Iorque
Quando algumas nações detêm poder sobre a água de outras, as conseqüências podem ser desastrosas. Elemento essencial à vida, esse precioso líquido já é alvo de cobiça em certas regiões do planeta. À medida que a população mundial cresce e a água se torna escassa, os conflitos aumentam. A discussão internacional sobre os recursos hídricos, que muitas vezes não respeitam as fronteiras dos países, suscita este debate sobre o seu aproveitamento.

Nova Iorque, EUA - Já foi dito que a água é o “ouro azul”, e que as próximas guerras por recursos naturais não serão travadas pelo petróleo, mas pela água. Maude Barlow, conselheira sênior para as Nações Unidas sobre temas ligados à água, escreveu que a forma como abordaremos esse recurso “vai, em grande parte, determinar se o nosso futuro será pacífico ou perigoso”.
A organização britânica sem fins lucrativos International Alert publicou um relatório identificando 46 países onde a água e os problemas climáticos poderiam dar início a violentos conflitos a partir de 2025, pressionando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a afirmar: “As conseqüências para a humanidade são graves. A escassez de água, que ameaça os ganhos econômicos e sociais, é um combustível potente para guerras e conflitos.”
Não há dúvida de que as reservas mundiais de água potável estão ameaçadas. Um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável hoje, e esse número deverá chegar a 2,8 bilhões em apenas duas décadas. Resultarão esses desafios em uma “guerra pela água”? Provavelmente não, dizem os especialistas. Mas os conflitos estão se acumulando e a batalha pelo controle das decrescentes reservas de água potável já começou. Gigantes internacionais – como os EUA, Israel e a China – já deram seus primeiros passos.
Controle chinês sobre as fontes asiáticas
Cinqüenta anos desde que o Dalai Lama fugiu do Tibete e 60 depois que os chineses invadiram o país, milhares de pessoas deram seu apoio ao movimento pela libertação do Tibete. Porém, muitos ficariam surpresos em saber o que está em jogo além da liberdade religiosa e política. O planalto tibetano é a fonte de uma parte importante da água potável na Ásia. Os principais rios da região nascem das montanhas geladas para irrigar as fazendas, casas e fábricas da China, Índia, Paquistão, Nepal, Butão, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Vietnam, Laos e Camboja. Incrivelmente, os países afetados contêm 85% da população da Ásia e quase metade da população de todo o globo.


Degelo nas montanhas do Himalaia leva água para países que somam 85% da população asiática. (Ryszard Pawlowski)
Degelo nas montanhas do Himalaia leva água para países que somam 85% da população asiática. (Ryszard Pawlowski)
Não apenas a China detém um poder incrível ao controlar o fornecimento de água de tantas pessoas, mas os rios que se originam no planalto estão cada vez mais ameaçados por níveis recorde de poluição, causados por atividades industriais, desflorestamento, mineração e manufaturas. E isto não é sequer a pior parte do problema: conforme Keith Schneider e H. C. Pope escreveram para a ONG Circle of Blue [que poderia ser livremente traduzido como "Círculo de água"], um clima cada vez mais quente está fazendo as geleiras da região retroceder mais rápido do que em qualquer região do planeta.
“A água emergiu como um tema chave, que poderá determinar se a Ásia se dirige rumo à cooperação mutuamente benéfica ou à competição deletéria entre estados”, escreveu Brahma Chellaney para o Japan Times.
Então, qualquer ação realizada pela China no Tibete afetará, em última instância, todos os países rio abaixo. “Há muito pouca discussão sobre a natureza internacional dos recursos hídricos”, disse Peter Gleick, presidente do Instituto Pacífico. “Eu não sei como fazer os chineses entrarem na mesma discussão que o resto do mundo, mas é necessário que haja mais negociação internacional e diplomacia para se evitar atritos, tensões e principalmente conflitos sobre os recursos hídricos.”
As previsões sobre mudança climática são preocupantes, e elas se somam ao fato de que a situação atual já não é boa na China. A industrialização deixou a água escassa ou poluída demais para beber em certas regiões. Para piorar a situação, o país foi recentemente atingido por secas. Em fevereiro, o Guardian reportou que 3.7 milhões de pessoas e 1.85 milhões de animais estavam sem água.
Muitos temem que a água do Tibete será a “solução” para os problemas da China, pois o país planeja instalar múltiplos sistemas de canais e represas que desviarão as águas provenientes do degelo das geleiras himalaias.
A água e o conflito árabe-insraelense
A China não é o único país ameaçado pela seca. No Oriente Médio, um dos locais mais quentes e secos do mundo, a água tem sido uma fonte de discórdia tanto quanto um elemento de negociação. “A disputa árabe-israelense é um conflito pela terra – e talvez, tão crucialmente quanto isso, pela água que flui através dessa terra”, escreveu Martin Asser para a BBC News.
Junto ao rio Jordão, atualmente 90% desviado por Israel, Síria e Jordânia, os países estão de fato enfrentando escassez. Mas não está exatamente claro o que isso significa para diferentes grupos de pessoas, como os israelenses e palestinos. “Eu penso que a escassez é um cenário político no qual as pessoas se inserem”, disse Samer Alatout, especialista em problemas de água entre israelenses e palestinos e professor do departamento de sociologia rural da Universidade de Wisconsin (EUA). “Se você tem uma idéia geral do que é a escassez, como, por exemplo, 500 metros cúbicos de água por ano por pessoa, isso não quer realmente dizer nada. Você não está considerando quem consome quanta água e quando.”


A exploração de 80% dos poços em território palestino está proibida. (Ranbar)
A exploração de 80% dos poços em território palestino está proibida. (Ranbar)
Enquanto o consumo varia entre israelenses, eles têm acesso contínuo à água. Os palestinos, por outro lado, estão sob a vontade de Israel. Na Cisjordânia, os palestinos têm acesso a apenas 20% da água do aqüífero situado sob seu território, pois está proibida a exploração de poços. O consumo per capita de água está na média de 60 litros por dia, abaixo mesmo do padrão de 100 litros por dia da Organização Mundial da Saúde. Para os israelenses, este número se aproxima dos 300 litros por dia.
Em Gaza, o aqüífero está tão poluído e sobrecarregado de poços que a água não pode ser bebida. Dos 4 mil poços existentes em Gaza, somente cerca de 10% estaria de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde. Cerca de 40% das casas em Gaza não tem água corrente. E mesmo para aquelas que têm, diz Alatout, o serviço de água é intermitente. “Durante o verão, eles podem ter seu acesso restrito a um dia por semana, durante algumas horas”, explica. “Eles enchem banheiras e recipientes. E compram água de caminhões pipa independentes, que interferem no suprimento de água. Boa parte do esforço e de seu tempo são gastos na tentativa de conseguir água para suas casas.”
E, como na China, as coisas provavelmente vão se deteriorar ainda mais nas próximas décadas. “Para os palestinos, a mudança climática agravará ainda mais o conflito com Israel”, escreveu o jornalista investigativo Andy Rowell. “O acesso à água já é uma das principais causas para a disputa. Quando a água ficar mais escassa, isso se somará ao conflito. Aquele que controlar o acesso aos recursos hídricos controlará o poder.”
Agora, este poder está claramente nas mãos de Israel. Por esta razão, Alatout não vê uma guerra pela água no futuro dessa região. “Os israelenses não vão lançar uma guerra porque eles já estão no poder. Os palestinos não podem de fato iniciar uma guerra, nem os jordanianos; não é factível.”
Isso não significa, diz ele, que os conflitos não vão se expandir ou se intensificar. A água é, afinal, uma necessidade vital. Mas as decisões sobre a água precisarão fazer parte de um plano mais amplo que leve em conta as raízes políticas, culturais e sociológicas do conflito, diz Alatout. Para os palestinos, este é um tema ligado à sua própria soberania. “Se Israel continuar negando aos palestinos o direito humano básico de acesso à água limpa, eles negarão à Palestina o seu direito de ser uma nação”, escreveu Rowell. “Isso significa que não haverá paz.”
Estados Unidos pode restringir água do México
A idéia de uma “guerra pela água” provavelmente invoca lugares como o Oriente Médio e a África. Mas nos últimos anos tem havido tensão real entre os Estados Unidos e o México.
A razão da disputa é o Rio Colorado, que corre por sete estados dos EUA antes de banhar o México e desembocar no Golfo da Califórnia. Suas águas alcançam 30 milhões de pessoas e quase 1 milhão de hectares de plantações. Através de canais e aquedutos, ele ajuda a abastecer cidades secas como Las Vegas, Phoenix e Los Angeles [todas nos Estados Unidos].
Sob o Tratado Mexicano da Água, de 1944, os Estados Unidos concordaram em garantir aos seus vizinhos do Sul 1.9 trilhões de litros de água por ano. Contudo, por muitas décadas, os habitantes do sul da fronteira seguidamente receberam mais do que o acordado pelo tratado, na medida em que o fluxo da água excedia o que os fazendeiros podiam usar.
Mas cerca de uma década de seca pressionou os estados ao redor do Rio Colorado a encontrar formas de extrair mais água do rio. Eles desenvolveram um plano para prevenir a infiltração de água e também para construir um reservatório logo ao norte da fronteira para captar esses fluxos “excessivos”.
Os administradores da água vão orgulhosamente declarar que estão prevenindo o “desperdício” e aumentando a eficiência. Mas, no deserto, a água nunca é desperdiçada. Ao invés disso, a água que se infiltra no subterrâneo flui para baixo do Vale Mexicano ao sul da fronteira, irrigando os campos dos fazendeiros locais. A área também representa um habitat crucial para milhões de pássaros migratórios.
O braço-forte dos Estados Unidos frente ao México assemelha-se à posição da China na Ásia, assim como à relação de Israel com a Palestina, onde o país que detém os recursos claramente detém a força política e há pouca chance de uma alternativa para os que estão sem água. Pode-se esperar que os Estados Unidos e o México possam resolver essa questão de maneira mais equitativa no futuro, mas ao redor do mundo os conflitos podem evoluir num rumo diferente conforme a água ficar mais escassa. “O que é mais provável é que a crise da água continue a piorar”, diz Aaron Wolf, professor de Geografia na Universidade do Estado de Oregon [Eua] e especialista em disputas transnacionais pela água. “O resultado será mais pessoas sofrendo e morrendo e danos cada vez maiores para o ecossistema.” As pessoas nos países ricos serão mais capazes de se adaptar, diz ele. As dos países mais pobres não terão a mesma sorte.
“O verdadeiro problema é a crise, e não o perigo de um conflito”, diz Wolf. “Entre 2,5 e 5 milhões de pessoas morrem todo ano por causa da falta de acesso a condições sanitárias básicas e a um suprimento seguro e estável de água. Possíveis guerras à luz da crise atual são uma distração perigosa.” A verdadeira ameaça, alerta, é não agirmos agora para responder à crise que está diante de nós.
Tara Lohan (excertos)

Cresce o Conflito Motivado por Água

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou dados parciais dos Conflitos no Campo relativos a 2010 no período de 1º de janeiro a 31 de julho.


Um dos aspectos relevantes foi o aumento do conflito por disputa de água que cresceu 32% em relação ao mesmo período anterior. O número de ocorrências registradas foram de 29 conflitos, envolvendo 25.255 famílias, enquanto em 2009, no mesmo período, foram registrados 22 conflitos, envolvendo 20.458 famílias.

É de se admirar que um recurso considerado por muitos como abundante pode ser motivo de violência e conflito no campo. Para se ter uma idéia, o conflito por posse de terra em 2010, por exemplo, diminuiu 30% em comparação a 2009.

Isto pode ser um indicativo de que a falta de água potável é um problema que vem se agravando.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Informações sobre a Água no Brasil e no Mundo

Insumo básico para sobrevivência humana, a água é uma das maiores preocupações de cientistas e governantes. A demanda mundial dobrou nas últimas décadas; a disponibilidade de água por habitante no planeta caiu 60% nos últimos 50 anos; 250 milhões de pessoas sofrem com escassez crônica da água; e, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), dentro de 25 anos , 2,8 bilhões de pessoas estarão nessa situação. A tendência é que as próximas guerras tenham como causa principal o controle da água potável. Atualmente, existem conflitos pela uso da água em pelo menos 70 regições do mundo.
Segundo publicado pela revista Science, cerca de 2,5 bilhões de habitantes enfrentavam escassez de água no ano 2000. Depois disso, a situação só piorou, principalmente por causa do aumento da atividades industriais e agrícoals. Apesar de os estudos ressaltarem que Ásia Central, África e Oriente Médio serão os continentes mais afetados pela escassez da água, os reflexos certamente serão sentidos em toads as nações. Poderá haver mais conflitos armados e a mltiplicação de doenças e epidemias. Mesmo no Brasil, onde se encontra aproximandamente 15% de toda a água doce do mundo (dos 113 trilhões de metros cúbicos disponíveis, 17 trilhões estão em território brasileiro), a situação também é grave.
Encontrar soluções imediatas e eficazes para o problema não é tarefa fácil nem aqui, nem no exterior. No caso da agricultura, uma das orientações da FAO, por exemplo é o uso da água da chuva para reduzir o desperdício na irrigação de plantações, exploração inteligente dos aquíferos - formações geológicas que armazenem água subterrânea. E o Brasil se destaca por possuir o maior reservatório subterrâneo de água doce do mundo, o Aquífero Guarani, com uma área total de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e reservas estimadas em 45 bilhões de metros cúbicos de água. o aquífeo se estende da região sudeste do Brasil até a Argentina, tendo sua área assim distribuída: Brasil (840 mil km2) Argentina (255 mil km2), Paraguai (58.500 km2) e urugai (58 mil km2).
Entre as bantagens dos aquíferos estão os baixos custos de captação em relação às águas superficiais, pois não exigem a construção de grandes obras de engenharia, e o menor impacto ambiental. Porém somente 30% dos municípios do país captam água subterrânea - percentual que poderia ser elevado para 80%.
Outra medida preventiva é a redução do consumo. Tanto em residências quanto em indústrias, simples atos - como o fechamento das torneiras e manutenção de tubulações e equipamentos - já evitam os desperdícios. Um cálculo do Ministério da Minas e Energia revelou que os gastos com reparos ou troca de equipamentos podem ser facilmente compensados em três meses - apenas com a economia na conta da água.