Mais do que qualquer outro segmento da economia, o agronegócio opera num cenário bipolar cujos panos de fundo dominantes são a escassez e o encarecimento da água e do petróleo, os dois insumos básciso da humanidade no atual estágio da civilização. Da correta administração de ambos dependem tanto a competitividade quanto a sustentabilidade das atividades agroempresariais nos próximos anos.
É cada vez mais difícil para os produtores rurais atuar nesse panorama instável e assustador. O equilíbrio ambiental passou a fazer parte da equação agrícola de forma definitiva. Além do desafio de serem competitivos sem exaurir os recursos naturais e comprometer a sustentabilidade (local e global), os agentes da produção agrícola precisam levar em conta outros fatores externos - como os distúrbios climáticos ligados ao aquecimento global - até então situados fora do seu contexto operacional.
O valor da água aumenta á medida que a população mundial cresce e intesifica o consumo das cidades e nas atividades agropecuárias. Estudos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revelam que a água se tornará o centro de grandes disputas internacionais ao longo deste século.
Uma das consequências disso seria uma valorização ainda maior da Amazônia como bioma estratégico para a estabilidade do clima no continente americano e até no planeta. Contudo, o debate sobre o desmatamenteo da floresta amazõnica ainda não coltou o foco diretamente para o problema da água, abundante na região. Por enquanto, ele se concentra na destruição das matas e nas práticas nocivas ao equilíbrio climático, como as queimadas, responsáveis por dois terços das emissões brasileiras de dióxido de carbono. Ou seja, a despeito da poluição atmosférica nos grandes centros urbanos, é das zonas rurais que vem a maior parcela da contribuição do país ao aquecimento global.
No elo mais primitivo da cadeia do agronegócio figura o tirador de madeira, que atua informalmente, de maneira clandestina e criminosa. Ele produz grande estrago porque mobiliza grandes recursos. Além das motoserras, emprega tratores de esteira, caminhões e barcaças. Abastece serrarias, indústrias de móveis e exportadores de madeira. Presta serviços a fazendeiros, pecuaristas e agricultores, para os quais "limpa" terrenos, sem respeitar obstáculos ou qualquer condicionamento ambiental. Quanto antes esse empreendedor-predador for enquadrado pela lei, melhor para sustentabilidade da Amazõnia. Guardadas as proporções, o mesmo argumento vale para os empreendedores rurais e urbanos que atuam no Cerrado, no resto da Mata Atlântica, do Pantanal e na Caatinga.
Cortar ou plantar árvores, as duas facetas do dilema da sustentabilidade, também estão presentes em outros biomas. No Pampa gaúcho, conservacionistas e desenvolvimentistas debatem há quatro anos sobre os impactos do plantio de eucaliptais em áreas tradicionalmente ocupadas por pastagens ou lavouras. A árvore (eucalípto) de origem australiana é acusada pelos ambientalistas de ser uma voraz consumidora de água. O argumento não convenceu o órgão ambiental do Estado que concedeu a licença garantindo aos plantadores de eucalíptos a conquista dos espaços rurais de onde vão tirar a madeira para fabricar celulose aos próximos anos. O licenciamento foi contestado na Justiça pelas entidades ambientalistas.
Fonte: Guia Sutentabilidade Meio Ambiente 2008
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