sábado, 27 de novembro de 2010

Lavar louça à mão gasta 10 vezes mais água do que na máquina

Os portugueses gastam até dez vezes mais água na lavagem de louça à mão do que na máquina, sendo a Península Ibérica a região que mais água e energia consome nesta tarefa, revela um estudo alemão.



O estudo da Universidade de Bona foi realizado em sete países europeus - Portugal, Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, Turquia, República Checa e Polónia - e concluiu que os habitantes da Península Ibérica são os que mais gastam água e energia a lavar louça.
Os investigadores sujaram 140 peças com vários tipos de comida (ovos, chá, leite, carne e margarina, entre outros) e lavaram depois a louça medindo o consumo de água, energia, tempo de duração, quantidade de detergente utilizado e grau de limpeza das peças.
Os testes revelaram que lavando as peças à mão, Portugal e Espanha consumiam 170 litros de água, contra uma média de 103 litros por lavagem nos sete países estudados, sendo a Dinamarca o país mais poupado (46 litros).
No caso da lavagem à máquina, o consumo baixava para 15 litros (programa normal) ou 22 litros (programa intensivo).
Comparando a lavagem à mão com a da máquina, o estudo demonstrou que em Portugal, o consumo de água era dez vezes superior no primeiro caso, bastante acima da média europeia.
No que respeita à média europeia, o consumo de água na lavagem à mão era quatro vezes superior ao da lavagem à máquina, sendo também esta forma de limpeza mais eficaz no que respeita ao consumo de energia (o gasto desceu para metade na lavagem à máquina com programa normal).
O consumo de energia também foi superior em Portugal e Espanha, atingindo 4,7 quilowatts/hora face a uma média europeia de 2,5 quilowatts/hora.
Quanto ao índice de limpeza de peças, todas as regiões apresentaram valores semelhantes, excepto na Grã-Bretanha e Inglaterra, os menos «limpos».
Os investigadores alemães concluíram ainda que a louça lavada na máquina fica mais limpa do que se for lavada à mão e que o electrodoméstico consome a mesma quantidade de água independentemente do número de peças que lava.
A Quercus confirma o estudo da Universidade de Bona e considera ambientalmente mais correcto usar a máquina de lavar.
Dados recolhidos pela associação ambientalista sugerem que lavar louça com a torneira meio aberta durante 15 minutos representa um consumo de, aproximadamente, cem litros de água, enquanto uma máquina de lavar com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta apenas 40 litros ou, nalguns casos, até menos.
Em Portugal, 30% dos lares têm máquinas de lavar louça.







Diário Digital / Lusa


Dicas simples para economia no consumo de água em Casa

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
Gastar mais de 120 litros de água por dia é jogar dinheiro fora e desperdiçar nossos recursos naturais. Veja algumas dicas de como economizar água  e dinheiro - sem prejudicar a saúde e a limpeza da casa e a higiene das pessoas.

No banheiro
Banho de 15 minutos? Olha o Nível!
O banho deve ser rápido. Cinco minutos são suficientes para higienizar o corpo. A economia é ainda maior se ao se ensaboar fecha-se o registro. A água que cai do chuveiro também pode ser reaproveitada para lavar a roupa ou qualquer outra atividade da casa. Para isso, deve-se colocar um balde ou bacia embaixo para armazenar aquela água.
Hora do banho
Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Se fechamos o registro, ao se ensaboar, e reduzimos o tempo para 5 minutos, o consumo cai para 45 litros.
No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência. Com os mesmos cuidados que com a ducha, o consumo cai para 15 litros.
Ao escovar os dentesSe uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.
Lavar o rosto
Ao lavar o rosto em um minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. A dica é não demorar.
O mesmo vale para o barbear. Em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia o consumo cai para 2 a 3 litros.
Descarga e vaso sanitário
Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa, pois ela gasta muita água. Uma bacia sanitária com a válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de
acionamento 50% menor para efetuas a limpeza, neste caso pode-se chegar a volumes de 6 litros por descarga.  Quando a válvula está defeituosa, pode chegar a gastar até 30 litros. Mantenha a válvula da descarga sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
Lugar de lixo é no lixo. Jogando no vaso sanitário você pode entupir o encanamento. E o pior é que o lixo pode voltar pra sua casa.


Na cozinha
Ao lavar a louça, primeiro limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira novamente para novo enxágüe. Só ligue a máquina de lavar louça quando ela estiver cheia.
Numa casa, lavando louça com a torneira meio aberta em 15 minutos, são utilizados 117 litros de água. Com economia o consumo pode chegar a 20 litros.
Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros. O ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia.
Na higienização de frutas e verduras utilize cloro ou água sanitária de uso geral (uma colher de sopa para um litro de água, por 15 minutos). Depois, coloque duas colheres de sopa de vinagre em um litro de água e deixe por mais 10 minutos, economizando o máximo de água possível.
Você sabia que ao se utilizar um copo de água, são necessários pelo menos outros 2 copos de água potável  para lavá-lo. Por isso, combata o desperdício em qualquer circunstância.

Área de serviço
Junte bastante roupa suja antes de ligar a máquina ou usar o tanque. Não lave uma peça por vez.
Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana.
Se na sua casa as roupas são lavadas no tanque, deixe as roupas de molho e use a mesma água para esfregar e ensaboar. Use água nova apenas no enxágüe. E aproveite esta última água para lavar o quintal ou a área de serviço.
Ao lavar a roupa, aproveite a água do tanque ou máquina de lavar e lave o quintal ou a calçada, pois a água já tem sabão.
Lavar roupa
No tanque, com a torneira aberta por 15 minutos, o gasto de água pode chegar a 279 litros. O melhor é deixar acumular roupa, colocar a água no tanque para ensaboar e manter a torneira fechada. E que tal aproveitar a água do enxágüe para lavar o quintal?
A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com a capacidade total.
Jardim e piscina
Use um regador para molhar as plantas ao invés de utilizar a mangueira.
Ao molhar as plantas durante 10 minutos o consumo de água pode chegar a 186 litros. Para economizar, a rega durante o verão deve ser feita de manhãzinha ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã. Mangueira com esguicho-revólver também ajuda. Assim, pode-se chegar a uma economia de 96 litros por dia!
Se você tem uma piscina de tamanho médio exposto ao sol e à ação do vento, você perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação, o suficiente para suprir as necessidades de água potável (para beber) de uma família de 4 pessoas por cerca de um ano e meio aproximadamente, considerando o consumo médio de 2 litros / habitante / dia. Com uma cobertura (encerado, material plástico), a perda é reduzida em 90%.


Calçada e carro
Adote o hábito de usar a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio da sua casa.
Lavar calçada com a mangueira é um hábito comum e que traz grandes prejuízos. Em 15 minutos são perdidos 279 litros de água.

Se houver uma sujeira localizada, use a técnica do pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça.

Use um balde e um pano para lavar o carro ao invés de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem (época do ano em que chove menos).

Muita gente gasta até 30 minutos ao lavar o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzir, basta lavar o carro somente uma vez por mês com balde. Nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.

Você pode cuidar do planeta em casa!

Produtos que mais poluem os rios, lagos e mares:
detergentes
óleos de cozinha
óleos de automóveis
gasolina
produtos químicos usados em indústrias
tintas
metais pesados (chumbo, zinco, alumínio e mercúrio).


 
Os principais fatores de deteriorização dos rios, mares, lagos e oceanos são: poluição e contaminação por produtos químicos e esgotos. O homem tem causado, desde a Revolução Industrial (segunda metade do século XVIII), todo este prejuízo à natureza, através dos lixos, esgotos, dejetos químicos industriais e mineração sem controle.
Em função destes problemas, os governos com cosnciência ecológica, tem motivado a exploração racional de aqüíferos (grandes reservas de água doce subterrâneas). Na América do Sul, temos o Aqüífero Guarani, um dos maiores do mundo e ainda pouco utilizado.Grande parte das águas deste aqüífero situa-se em subsolo brasileiro (região sul).
Pesquisas realizadas pela Comissão Mundial de Água e de outros órgão ambientais internacionais afirmam que cerca de três bilhões de habitantes em nosso planeta estão vivendo sem o mínimo necessário de condições sanitárias.Cerca de um milhão não tem acesso à água potável. Em razão desses graves problemas, espalham-se diversas epidemias de doenças como diarréia, leptospirose, esquistossomose, hepatite e febre tifóide, que matam mais de 5 milhões de pessoas por ano, sendo que um número maior de doentes sobrecarregam os hospitais e postos de saúde destes países.

Busca de soluções
Com o intuito de buscar soluções para os problemas dos recursos hídricos da Terra, foi realizado no Japão, entre 16 e 23 de março de 2003, o III Fórum Mundial de Água. Políticos, pesquisadores e autoridades de diversos países aprovaram vários documentos que visam a tomada de atitudes para resolver os problemas hídricos mundiais. Estes documentos, reafirmam que a água doce é extremamente importante para a vida e saúde das pessoas e defende que, para que ela não falte no século XXI, alguns desafios devem ser urgentemente superados: o atendimento das necessidades básicas da população, a garantia do abastecimento de alimentos, a proteção dos ecossistemas e mananciais, a administração de riscos, a valorização da água, a divisão e a eficiente administração dos recursos hídricos do planeta.
Embora muitas soluções sejam buscadas em esferas governamentais e em congressos mundiais, no dia-a-dia todas as pessoas podem colaborar para que a água doce não falte no futuro. A preservação, economia e o uso racional da água deve estar presente nas atitudes diárias de cada cidadão. A pessoa consciente deve economizar, pois o desperdício de água doce pode trazer perigosas conseqüências num futuro pouco distante.
fonte: http://www.todabiologia.com/ecologia/poluicao_da_agua.htm

 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

ÁGUA: O QUE REALMENTE É NECESSÁRIO FAZER?

Tomar banhos mais curtos, evitar vazamentos em torneiras e instalações hidráulicas, reutilização da água. O que realmente é necessário fazer?

O geólogo Pedro Jacobi apresenta mitos e verdades sobre a falta água para o consumo em seu site http://www.geologo.com.br/aguahisteria.asp.

Veja um resumo abaixo:

1. O Brasil é um país abundante em água. O problema da falta de água é um problema de gerenciamento por parte do governo. O consumo excessivo não é a causa da falta de água potável.

Um dos exemplos, somente a precipitação ocorrida na Grande São Paulo de janeiro a março e suficiente para suprir o consumo desta cidade em um ano.

2. A diminuição da água potável vem em razão da poluição. Ao invés de estimular a diminuição do consumo de água, o governo deveria criar leis mais severas para quem polui a água. Outro ponto importante é o investimento em transporte, distribuição e tratamento da água nos centros urbanos.




Conclusão: A água da terra não está acabando. Na realidade a água da superfície terrestre pode estar aumentando pela adição de água vulcânica. O valor da água deverá aumentar consideravelmente pois existem países carentes que terão que utilizar tecnologias caras ou importar água de países ricos. O Brasil não deverá ter problema de falta de água se os governantes investirem adequadamente no gerenciamento, armazenagem, tratamento e distribuição das águas. Evitar a poluição das águas deve ser considerada a prioridade número um dos Governantes.

Conflitos Internacionais pelo "Ouro Azul"

Estudiosos apontam que a água pode ser motivo de conflitos internacionais no futuro.
 
The Nation – Nova Iorque
Quando algumas nações detêm poder sobre a água de outras, as conseqüências podem ser desastrosas. Elemento essencial à vida, esse precioso líquido já é alvo de cobiça em certas regiões do planeta. À medida que a população mundial cresce e a água se torna escassa, os conflitos aumentam. A discussão internacional sobre os recursos hídricos, que muitas vezes não respeitam as fronteiras dos países, suscita este debate sobre o seu aproveitamento.

Nova Iorque, EUA - Já foi dito que a água é o “ouro azul”, e que as próximas guerras por recursos naturais não serão travadas pelo petróleo, mas pela água. Maude Barlow, conselheira sênior para as Nações Unidas sobre temas ligados à água, escreveu que a forma como abordaremos esse recurso “vai, em grande parte, determinar se o nosso futuro será pacífico ou perigoso”.
A organização britânica sem fins lucrativos International Alert publicou um relatório identificando 46 países onde a água e os problemas climáticos poderiam dar início a violentos conflitos a partir de 2025, pressionando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a afirmar: “As conseqüências para a humanidade são graves. A escassez de água, que ameaça os ganhos econômicos e sociais, é um combustível potente para guerras e conflitos.”
Não há dúvida de que as reservas mundiais de água potável estão ameaçadas. Um bilhão de pessoas não tem acesso à água potável hoje, e esse número deverá chegar a 2,8 bilhões em apenas duas décadas. Resultarão esses desafios em uma “guerra pela água”? Provavelmente não, dizem os especialistas. Mas os conflitos estão se acumulando e a batalha pelo controle das decrescentes reservas de água potável já começou. Gigantes internacionais – como os EUA, Israel e a China – já deram seus primeiros passos.
Controle chinês sobre as fontes asiáticas
Cinqüenta anos desde que o Dalai Lama fugiu do Tibete e 60 depois que os chineses invadiram o país, milhares de pessoas deram seu apoio ao movimento pela libertação do Tibete. Porém, muitos ficariam surpresos em saber o que está em jogo além da liberdade religiosa e política. O planalto tibetano é a fonte de uma parte importante da água potável na Ásia. Os principais rios da região nascem das montanhas geladas para irrigar as fazendas, casas e fábricas da China, Índia, Paquistão, Nepal, Butão, Bangladesh, Mianmar, Tailândia, Vietnam, Laos e Camboja. Incrivelmente, os países afetados contêm 85% da população da Ásia e quase metade da população de todo o globo.


Degelo nas montanhas do Himalaia leva água para países que somam 85% da população asiática. (Ryszard Pawlowski)
Degelo nas montanhas do Himalaia leva água para países que somam 85% da população asiática. (Ryszard Pawlowski)
Não apenas a China detém um poder incrível ao controlar o fornecimento de água de tantas pessoas, mas os rios que se originam no planalto estão cada vez mais ameaçados por níveis recorde de poluição, causados por atividades industriais, desflorestamento, mineração e manufaturas. E isto não é sequer a pior parte do problema: conforme Keith Schneider e H. C. Pope escreveram para a ONG Circle of Blue [que poderia ser livremente traduzido como "Círculo de água"], um clima cada vez mais quente está fazendo as geleiras da região retroceder mais rápido do que em qualquer região do planeta.
“A água emergiu como um tema chave, que poderá determinar se a Ásia se dirige rumo à cooperação mutuamente benéfica ou à competição deletéria entre estados”, escreveu Brahma Chellaney para o Japan Times.
Então, qualquer ação realizada pela China no Tibete afetará, em última instância, todos os países rio abaixo. “Há muito pouca discussão sobre a natureza internacional dos recursos hídricos”, disse Peter Gleick, presidente do Instituto Pacífico. “Eu não sei como fazer os chineses entrarem na mesma discussão que o resto do mundo, mas é necessário que haja mais negociação internacional e diplomacia para se evitar atritos, tensões e principalmente conflitos sobre os recursos hídricos.”
As previsões sobre mudança climática são preocupantes, e elas se somam ao fato de que a situação atual já não é boa na China. A industrialização deixou a água escassa ou poluída demais para beber em certas regiões. Para piorar a situação, o país foi recentemente atingido por secas. Em fevereiro, o Guardian reportou que 3.7 milhões de pessoas e 1.85 milhões de animais estavam sem água.
Muitos temem que a água do Tibete será a “solução” para os problemas da China, pois o país planeja instalar múltiplos sistemas de canais e represas que desviarão as águas provenientes do degelo das geleiras himalaias.
A água e o conflito árabe-insraelense
A China não é o único país ameaçado pela seca. No Oriente Médio, um dos locais mais quentes e secos do mundo, a água tem sido uma fonte de discórdia tanto quanto um elemento de negociação. “A disputa árabe-israelense é um conflito pela terra – e talvez, tão crucialmente quanto isso, pela água que flui através dessa terra”, escreveu Martin Asser para a BBC News.
Junto ao rio Jordão, atualmente 90% desviado por Israel, Síria e Jordânia, os países estão de fato enfrentando escassez. Mas não está exatamente claro o que isso significa para diferentes grupos de pessoas, como os israelenses e palestinos. “Eu penso que a escassez é um cenário político no qual as pessoas se inserem”, disse Samer Alatout, especialista em problemas de água entre israelenses e palestinos e professor do departamento de sociologia rural da Universidade de Wisconsin (EUA). “Se você tem uma idéia geral do que é a escassez, como, por exemplo, 500 metros cúbicos de água por ano por pessoa, isso não quer realmente dizer nada. Você não está considerando quem consome quanta água e quando.”


A exploração de 80% dos poços em território palestino está proibida. (Ranbar)
A exploração de 80% dos poços em território palestino está proibida. (Ranbar)
Enquanto o consumo varia entre israelenses, eles têm acesso contínuo à água. Os palestinos, por outro lado, estão sob a vontade de Israel. Na Cisjordânia, os palestinos têm acesso a apenas 20% da água do aqüífero situado sob seu território, pois está proibida a exploração de poços. O consumo per capita de água está na média de 60 litros por dia, abaixo mesmo do padrão de 100 litros por dia da Organização Mundial da Saúde. Para os israelenses, este número se aproxima dos 300 litros por dia.
Em Gaza, o aqüífero está tão poluído e sobrecarregado de poços que a água não pode ser bebida. Dos 4 mil poços existentes em Gaza, somente cerca de 10% estaria de acordo com os padrões da Organização Mundial da Saúde. Cerca de 40% das casas em Gaza não tem água corrente. E mesmo para aquelas que têm, diz Alatout, o serviço de água é intermitente. “Durante o verão, eles podem ter seu acesso restrito a um dia por semana, durante algumas horas”, explica. “Eles enchem banheiras e recipientes. E compram água de caminhões pipa independentes, que interferem no suprimento de água. Boa parte do esforço e de seu tempo são gastos na tentativa de conseguir água para suas casas.”
E, como na China, as coisas provavelmente vão se deteriorar ainda mais nas próximas décadas. “Para os palestinos, a mudança climática agravará ainda mais o conflito com Israel”, escreveu o jornalista investigativo Andy Rowell. “O acesso à água já é uma das principais causas para a disputa. Quando a água ficar mais escassa, isso se somará ao conflito. Aquele que controlar o acesso aos recursos hídricos controlará o poder.”
Agora, este poder está claramente nas mãos de Israel. Por esta razão, Alatout não vê uma guerra pela água no futuro dessa região. “Os israelenses não vão lançar uma guerra porque eles já estão no poder. Os palestinos não podem de fato iniciar uma guerra, nem os jordanianos; não é factível.”
Isso não significa, diz ele, que os conflitos não vão se expandir ou se intensificar. A água é, afinal, uma necessidade vital. Mas as decisões sobre a água precisarão fazer parte de um plano mais amplo que leve em conta as raízes políticas, culturais e sociológicas do conflito, diz Alatout. Para os palestinos, este é um tema ligado à sua própria soberania. “Se Israel continuar negando aos palestinos o direito humano básico de acesso à água limpa, eles negarão à Palestina o seu direito de ser uma nação”, escreveu Rowell. “Isso significa que não haverá paz.”
Estados Unidos pode restringir água do México
A idéia de uma “guerra pela água” provavelmente invoca lugares como o Oriente Médio e a África. Mas nos últimos anos tem havido tensão real entre os Estados Unidos e o México.
A razão da disputa é o Rio Colorado, que corre por sete estados dos EUA antes de banhar o México e desembocar no Golfo da Califórnia. Suas águas alcançam 30 milhões de pessoas e quase 1 milhão de hectares de plantações. Através de canais e aquedutos, ele ajuda a abastecer cidades secas como Las Vegas, Phoenix e Los Angeles [todas nos Estados Unidos].
Sob o Tratado Mexicano da Água, de 1944, os Estados Unidos concordaram em garantir aos seus vizinhos do Sul 1.9 trilhões de litros de água por ano. Contudo, por muitas décadas, os habitantes do sul da fronteira seguidamente receberam mais do que o acordado pelo tratado, na medida em que o fluxo da água excedia o que os fazendeiros podiam usar.
Mas cerca de uma década de seca pressionou os estados ao redor do Rio Colorado a encontrar formas de extrair mais água do rio. Eles desenvolveram um plano para prevenir a infiltração de água e também para construir um reservatório logo ao norte da fronteira para captar esses fluxos “excessivos”.
Os administradores da água vão orgulhosamente declarar que estão prevenindo o “desperdício” e aumentando a eficiência. Mas, no deserto, a água nunca é desperdiçada. Ao invés disso, a água que se infiltra no subterrâneo flui para baixo do Vale Mexicano ao sul da fronteira, irrigando os campos dos fazendeiros locais. A área também representa um habitat crucial para milhões de pássaros migratórios.
O braço-forte dos Estados Unidos frente ao México assemelha-se à posição da China na Ásia, assim como à relação de Israel com a Palestina, onde o país que detém os recursos claramente detém a força política e há pouca chance de uma alternativa para os que estão sem água. Pode-se esperar que os Estados Unidos e o México possam resolver essa questão de maneira mais equitativa no futuro, mas ao redor do mundo os conflitos podem evoluir num rumo diferente conforme a água ficar mais escassa. “O que é mais provável é que a crise da água continue a piorar”, diz Aaron Wolf, professor de Geografia na Universidade do Estado de Oregon [Eua] e especialista em disputas transnacionais pela água. “O resultado será mais pessoas sofrendo e morrendo e danos cada vez maiores para o ecossistema.” As pessoas nos países ricos serão mais capazes de se adaptar, diz ele. As dos países mais pobres não terão a mesma sorte.
“O verdadeiro problema é a crise, e não o perigo de um conflito”, diz Wolf. “Entre 2,5 e 5 milhões de pessoas morrem todo ano por causa da falta de acesso a condições sanitárias básicas e a um suprimento seguro e estável de água. Possíveis guerras à luz da crise atual são uma distração perigosa.” A verdadeira ameaça, alerta, é não agirmos agora para responder à crise que está diante de nós.
Tara Lohan (excertos)

Cresce o Conflito Motivado por Água

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou dados parciais dos Conflitos no Campo relativos a 2010 no período de 1º de janeiro a 31 de julho.


Um dos aspectos relevantes foi o aumento do conflito por disputa de água que cresceu 32% em relação ao mesmo período anterior. O número de ocorrências registradas foram de 29 conflitos, envolvendo 25.255 famílias, enquanto em 2009, no mesmo período, foram registrados 22 conflitos, envolvendo 20.458 famílias.

É de se admirar que um recurso considerado por muitos como abundante pode ser motivo de violência e conflito no campo. Para se ter uma idéia, o conflito por posse de terra em 2010, por exemplo, diminuiu 30% em comparação a 2009.

Isto pode ser um indicativo de que a falta de água potável é um problema que vem se agravando.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Informações sobre a Água no Brasil e no Mundo

Insumo básico para sobrevivência humana, a água é uma das maiores preocupações de cientistas e governantes. A demanda mundial dobrou nas últimas décadas; a disponibilidade de água por habitante no planeta caiu 60% nos últimos 50 anos; 250 milhões de pessoas sofrem com escassez crônica da água; e, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), dentro de 25 anos , 2,8 bilhões de pessoas estarão nessa situação. A tendência é que as próximas guerras tenham como causa principal o controle da água potável. Atualmente, existem conflitos pela uso da água em pelo menos 70 regições do mundo.
Segundo publicado pela revista Science, cerca de 2,5 bilhões de habitantes enfrentavam escassez de água no ano 2000. Depois disso, a situação só piorou, principalmente por causa do aumento da atividades industriais e agrícoals. Apesar de os estudos ressaltarem que Ásia Central, África e Oriente Médio serão os continentes mais afetados pela escassez da água, os reflexos certamente serão sentidos em toads as nações. Poderá haver mais conflitos armados e a mltiplicação de doenças e epidemias. Mesmo no Brasil, onde se encontra aproximandamente 15% de toda a água doce do mundo (dos 113 trilhões de metros cúbicos disponíveis, 17 trilhões estão em território brasileiro), a situação também é grave.
Encontrar soluções imediatas e eficazes para o problema não é tarefa fácil nem aqui, nem no exterior. No caso da agricultura, uma das orientações da FAO, por exemplo é o uso da água da chuva para reduzir o desperdício na irrigação de plantações, exploração inteligente dos aquíferos - formações geológicas que armazenem água subterrânea. E o Brasil se destaca por possuir o maior reservatório subterrâneo de água doce do mundo, o Aquífero Guarani, com uma área total de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e reservas estimadas em 45 bilhões de metros cúbicos de água. o aquífeo se estende da região sudeste do Brasil até a Argentina, tendo sua área assim distribuída: Brasil (840 mil km2) Argentina (255 mil km2), Paraguai (58.500 km2) e urugai (58 mil km2).
Entre as bantagens dos aquíferos estão os baixos custos de captação em relação às águas superficiais, pois não exigem a construção de grandes obras de engenharia, e o menor impacto ambiental. Porém somente 30% dos municípios do país captam água subterrânea - percentual que poderia ser elevado para 80%.
Outra medida preventiva é a redução do consumo. Tanto em residências quanto em indústrias, simples atos - como o fechamento das torneiras e manutenção de tubulações e equipamentos - já evitam os desperdícios. Um cálculo do Ministério da Minas e Energia revelou que os gastos com reparos ou troca de equipamentos podem ser facilmente compensados em três meses - apenas com a economia na conta da água.

Sustentabilidade no Agronegócio

Mais do que qualquer outro segmento da economia, o agronegócio opera num cenário bipolar cujos panos de fundo dominantes são a escassez e o encarecimento da água e do petróleo, os dois insumos básciso da humanidade no atual estágio da civilização. Da correta administração de ambos dependem tanto a competitividade quanto a sustentabilidade das atividades agroempresariais nos próximos anos.
É cada vez mais difícil para os produtores rurais atuar nesse panorama instável e assustador. O equilíbrio ambiental passou a fazer parte da equação agrícola de forma definitiva. Além do desafio de serem competitivos sem exaurir os recursos naturais e comprometer a sustentabilidade (local e global), os agentes da produção agrícola precisam levar em conta outros fatores externos - como os distúrbios climáticos ligados ao aquecimento global - até então situados fora do seu contexto operacional.
O valor da água aumenta á medida que a população mundial cresce e intesifica o consumo das cidades e nas atividades agropecuárias. Estudos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revelam que a água se tornará o centro de grandes disputas internacionais ao longo deste século.
Uma das consequências disso seria uma valorização ainda maior da Amazônia como bioma estratégico para a estabilidade do clima no continente americano e até no planeta. Contudo, o debate sobre o desmatamenteo da floresta amazõnica ainda não coltou o foco diretamente para o problema da água, abundante na região. Por enquanto, ele se concentra na destruição das matas e nas práticas nocivas ao equilíbrio climático, como as queimadas, responsáveis por dois terços das emissões brasileiras de dióxido de carbono. Ou seja, a despeito da poluição atmosférica nos grandes centros urbanos, é das zonas rurais que vem a maior parcela da contribuição do país ao aquecimento global.
No elo mais primitivo da cadeia do agronegócio figura o tirador de madeira, que atua informalmente, de maneira clandestina e criminosa. Ele produz grande estrago porque mobiliza grandes recursos. Além das motoserras, emprega tratores de esteira, caminhões e barcaças. Abastece serrarias, indústrias de móveis e exportadores de madeira. Presta serviços a fazendeiros, pecuaristas e agricultores, para os quais "limpa" terrenos, sem respeitar obstáculos ou qualquer condicionamento ambiental. Quanto antes esse empreendedor-predador for enquadrado pela lei, melhor para sustentabilidade da Amazõnia. Guardadas as proporções, o mesmo argumento vale para os empreendedores rurais e urbanos que atuam no Cerrado, no resto da Mata Atlântica, do Pantanal e na Caatinga.
Cortar ou plantar árvores, as duas facetas do dilema da sustentabilidade, também estão presentes em outros biomas. No Pampa gaúcho, conservacionistas e desenvolvimentistas debatem há quatro anos sobre os impactos do plantio de eucaliptais em áreas tradicionalmente ocupadas por pastagens ou lavouras. A árvore (eucalípto) de origem australiana é acusada pelos ambientalistas de ser uma voraz consumidora de água. O argumento não convenceu o órgão ambiental do Estado que concedeu a licença garantindo aos plantadores de eucalíptos a conquista dos espaços rurais de onde vão tirar a madeira para fabricar celulose aos próximos anos. O licenciamento foi contestado na Justiça pelas entidades ambientalistas.
Fonte: Guia Sutentabilidade Meio Ambiente 2008

sábado, 9 de outubro de 2010

Perigo de novos vazamentos da lama tóxica na Hungria



Por Krisztina Than e Gergely Szakacs
O primeiro-ministro da Hungria alertou neste sábado que a parede de um reservatório industrial danificado pode desabar, ameaçando mais um grande vazamento de lama tóxica. Um vilarejo próximo foi evacuado por precaução.
Cerca de um milhão de metros cúbicos do resíduos vazaram do reservatório de uma fábrica de alumínio e inundaram várias cidades e córregos no início da semana, matando sete pessoas, ferindo 123 e poluindo alguns rios, incluindo um afluente local do Danúbio.
O premiê Viktor Orban disse que o muro do reservatório afetado tem rachaduras e que é provável que desmorone.
"Graças a Deus conseguimos resgatar a grande maioria das pessoas depois que a represa se rompeu na segunda-feira, mas a região foi praticamente destruída," disse Orban em uma coletiva de imprensa em Budapeste depois de visitar a área atingida pelo desastre no oeste húngaro.
Ele declarou que o governo está disposto a assumir os gastos do esforço de resgate e recuperação, mas que é muito cedo para fazer estimativas precisas sobre a dimensão dos estragos.
No início deste sábado, Gyorgy Bakondi, chefe da Unidade Nacional de Desastres, disse ao jornal Magyar Nemzet em entrevista que a conta pode bater os 10 bilhões de forints (50,4 milhões de dólares). Ele afirmou que todos os reservatórios similares da Hungria foram examinados.
Orban declarou que o país lançou um fundo de auxílio ao desastre, que aceita contribuições de húngaros ao redor do mundo.
Orban, para quem o vazamento foi o pior desastre ecológico na Hungria até hoje, disse haver um grande risco de 500 mil metros cúbicos de uma lama ainda mais espessa escaparem do reservatório por culpa da deterioração de uma parede na parte afetada.
Ele disse ainda que o país tem as ferramentas necessárias para impedir que qualquer nova contaminação chegue ao Danúbio por rios menores no caso de mais um vazamento.
Segundo ele, 715 pessoas foram evacuadas do vilarejo de Kolontar, severamente atingido pelo vazamento de segunda-feira, para Ajka como precaução.
A agência de notícias estatal MTI disse que equipes estão construindo uma nova represa de 4 a 5 metros de altura em Kolontar para evitar novas inundações de lama.

Edição:  Márcio Ricelle  | Fonte:  Reuters

Poluição das Água no planeta

Ásia sofre mais com contaminação

Ronaldo Decicino*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
 
Um estudo elaborado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) classificou 122 países em relação à qualidade de seus mananciais. A Bélgica ficou em último lugar, atrás de países pobres como Índia e Ruanda. O ranking ainda destacou a Bélgica com a presença escassa de lençóis freáticos, intensa poluição industrial e o precário sistema de tratamento de resíduos industriais.

No topo da lista da qualidade de água estão Finlândia, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Japão. A pesquisa também mostrou disparidade relativa à água disponível nos diversos países. No Kuait, por exemplo, cada habitante tem à disposição apenas 10 metros cúbicos anuais de água doce. Na Guiana Francesa esse número sobe para 812.121 metros cúbicos por pessoa.

De acordo com o relatório, os rios asiáticos são os mais poluídos do mundo, e metade da população dos países pobres está exposta à água contaminada por esgoto ou resíduos industriais.

Doenças relacionadas à água estão entre as causas mais comuns de morte no mundo e atingem principalmente os países em desenvolvimento. Milhões de pessoas ainda morrem anualmente devido ao consumo de água imprópria e pela falta de saneamento. Crianças com menos de cinco anos são as mais afetadas.

Se os governos dos países carentes de água não adotarem medidas urgentes para estabilizar a população e buscar elevar a produtividade hídrica, a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimentos.

Os recursos hídricos disponíveis poderiam ser utilizados de forma mais eficaz e consciente. Reduzir a poluição, desenvolver processos de reciclagem da água, evitar o desperdício, preocupar-se mais com seus usos múltiplos, quer seja o abastecimento humano, abastecimento industrial, irrigação agrícola, geração de energia elétrica, entre outros.

Essas e outras medidas deveriam ser buscadas de forma imediata, tentando-se atingir a sensibilização e conscientização para um problema cada vez mais crescente, de maneira que sua possível solução envolva esforços de todas as nações, passando inclusive pela educação da atual e das novas gerações.

Referências Bibliográficas

"A questão da água no Brasil e no mundo" - Nelson Bacic Olic - Revista Pangea Mundo;
"A possível futura escassez de água doce que existe na Terra" - Rosana Camargo
Encarte Folha Ciência - Folha de São Paulo 14/08/2002.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/geografia/ult1701u82.jhtm

Realidade da falta de água potável no planeta

Escassez de água

Quais as áreas mais atingidas?

Ronaldo Decicino*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação (UOL)
Os mananciais do planeta estão secando rapidamente, o que vai se somar ao crescimento populacional, à poluição e ao aquecimento global, resultando na diminuição da quantidade de água disponível para cada pessoa no mundo. A quantidade per capita no mundo vem caindo desde 1970.

Segundo alerta relatório das Nações Unidas, a escassez da água vai afetar diretamente a qualidade de vida. Atualmente já são 2 bilhões de pessoas enfrentando a falta de água, a previsão é que em 2025 este número dobre. Em cem anos o consumo de água cresceu 6 vezes, taxa duas vezes maior que o crescimento demográfico. O uso intensivo na agricultura foi a principal causa do aumento.

Escassez de água e motivos

A metade dos 12.500 km3 de água doce disponíveis no planeta já está sendo utilizada e, nos próximos 20 anos, é esperado que a média mundial de água disponível por habitante diminua um terço, fazendo com que duas em cada três pessoas tenham que viver numa situação crítica de escassez de água. Infelizmente, quase todos os 3 milhões de habitantes que devem ser adicionados à população mundial até 2050 nascerão em países que já sofrem com a escassez de água. Ou seja, não terão acesso a água de qualidade.

As áreas mais atingidas serão a África, a Ásia Central e o Oriente Médio, local onde especialistas acreditam que eventuais conflitos, se vierem a ocorrer no neste século, serão causados cada vez mais por causa da água e cada vez menos por causa do petróleo.

Humanidade gera mais uma catástrofe ao meio ambiente

Lama tóxica que vazou na Hungria atinge o Rio Danúbio, diz governo

Rio Marcal, atingido anteriormente, teve morte de peixes.
Maré de resíduos químicos já matou pelo menos quatro pessoas.


maré de lama vermelha tóxica que vazou de uma fábrica de alumínio no oeste da Hungria atingiu o Rio Danúbio nesta quinta-feira (7), afirmou um porta-voz dos serviços de emergência, citado pela agência MTI.
Tibor Dobson, o porta-voz, disse que não havia relatos sobre mortes de peixes nos rios Raba e Mosoni, que já haviam sido atingidos pelo material antes. No Rio Marcal, todos os peixes morreram.
Mais cedo, ele disse que as equipes estavam tentando reduzir a alcalinidade do vazamento.
Segundo Dobson, as equipes estão se empenhando para reduzir o conteúdo alcalino do resíduo, cujo pH ainda estava em torno de 9 quando alcançou o rio Raba, por volta de 3h30 (00h30 em Brasília), e o Mosoni, um tributário do rio Danúbio, às 7h30 locais. O nível normal, que não causa danos, deveria ficar entre 6 e 8.
A bacia principal do Danúbio fica a cerca de 20 quilômetros do ponto onde a poluição atingiu o Mosoni-Danúbio.
Marcal
Todo o ecossistema do rio húngaro Marcal foi devastado pela contaminação, disse Dobson.
"Todo o ecossistema do rio Marcal foi destruído, porque o nível de alcalinidade muito elevado matou tudo", declarou Dobson à agência de notícias MTI.
"Todos os peixes morreram e a vegetação também não pode ser salva", completou.
O lodo vazou na segunda-feira de um reservatório de uma indústria de alumínio.
A poluição dos rios ameaça o meio ambiente da região, três dias depois que uma torrente de lodo tóxico irrompeu em vilarejos húngaros, matando quatro pessoas e ferindo 120. Ainda há três desaparecidos.
O acidente forçou o governo a decretar estado de emergência nos condados de Veszprem, Gyor-Moson-Sopron e Vas.
As aldeias de Kolontár e Devecser foram afetadas pela catástrofe e mais de 400 pessoas foram retiradas dessas áreas.

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/10/lama-toxica-que-vazou-na-hungria-atinge-o-rio-danubio-diz-governo.html

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Política Públicas

O Jornal do Comércio perguntou ao eleito governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em 25/08/2010, no período da campanha eleitoral, sobre o futuro do programa Pró-Guaíba, e o governador respondeu:
"Tarso - Não posso dizer que me comprometo a retomá-lo. Podemos renová-lo. É um projeto importante, tem que voltar a se tornar uma política pública."

Esperamos que as políticas públicas dêem o devido olhar ao desenvolvimento sustentável, em todas esferas públicas.

Veja abaixo os objetivos do programa Pró-Guaíba:
  • Estudar a vocação natural do solo, quanto ao uso atual e suas potencialidades;

  • Realizar obras físicas de conservação de solos, reflorestamento e de controle de agrotóxicos, com técnicas mais modernas e menos poluentes;

  • Estudar a relação entre os impactos positivos e negativos gerados pela utilização dos recursos naturais;

  • Contribuir para a conservação efetiva do patrimônio natural, fortalecendo as unidades de conservação existentes e promovendo o estabelecimento de unidades adicionais;

  • Promover a educação ambiental e a extensão rural, contribuindo para a mudança de atitude das pessoas face ao meio ambiente, especialmente em relação aos usuários dos recursos mais frágeis.

  • Promover o fortalecimento institucional e consolidar uma base legal integradora;

  • Elaborar um plano integrado para o manejo ambiental da região que trace as diretrizes, objetivos, políticas e estratégias para guiar o trabalho das instituições que ali executam ações;

  • Prestar serviços que facilitem o trabalho integrado das instituições envolvidas, especialmente através da geração de informações básicas e de critérios que guiem o uso adequado do solo, água e florestas;

  • Identificar, analisar, projetar e implantar sistemas de redução e tratamento de contaminação atmosférica e de despejos sólidos e líquidos;
  • Água Potável mais fácil do que nunca!

    A companhia LIFESAVER desenvolveu, na inglaterra, uma garrafa capaz de eliminar as impurezas da água de forma instantênea e prática, tornando a água própria para consumo! Incrível. Esta invenção no futuro poderá ser tão importante para vida das pessoas como hoje é a escova de dentes! O projeto começou a ser idealizado após o tsunami em dezembro de 2004 nos EUA, e foi concluído 2009, com seu lançamento em dezembro daquele mesmo ano. O preço no Brasil ainda é um problema para famílias de baixa renda que sofrem com abastecimento de água, e têm que recorrer para fontes duvidosas e inseguras. O valor é de aproximadamente R$ 600,00, mas esperamos que a economia de escala, a necessidade do seus resultados e a concorrência resolvam este problema, tornando o produto acessível as grandes massas, e não só aos governos e ONGs.
    A LIFESAVER possui uma tecnologia chamada de FAILSAFE. Esta tecnologia significa que quando o cartucho já expirou o sistema desliga-se, impedindo que o usuário beba água contaminada. Para usar a garrafa novamente basta substituir o cartucho de ultrafiltragem por um novo.
    Filtra até a água do mar! Remove toda a contaminação microbiológica da água, só não dessaliniza, ou seja, precisa retirar o sal para torná-la própria para consumo.

    Informações técnicas do fabricante:







    Fonte: http://www.lifesaversystems.com.br/

    quarta-feira, 29 de setembro de 2010

    Como funciona o sistema de tratamento de esgoto

    No Brasil, apenas 49% do esgoto produzido é coletado por meio de rede, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destes, somente 10% do esgoto são tratados. As regiões metropolitanas e grandes cidades possuem extensos volumes de esgoto que é despejado sem tratamento nos rios e mares, desta forma, o resultado é a poluição das águas. A solução é a implantação de uma estação de tratamento de esgoto que remova os principais poluentes presentes nas águas residuárias para que não afetem a qualidade da água.
    Um dos grandes projetos de incentivo de implantação de tratamento de esgotos tem como finalidade a redução dos níveis de poluição dos recursos hídricos no país e foi criado em março de 2001 pela ANA (Agência Nacional de Águas). Esse programa chama-se PRODES (Programa Despoluição de Bacias Hidrográficas) e tem como objetivo a redução de poluição por esgotos domésticos lançados sem tratamento nas bacias hidrográficas brasileiras, visando à melhoria da qualidade das águas.

    Nesse artigo, veremos um dos funcionamentos internos dos sistemas de esgoto, de modo que você possa entender como eles suportam bilhões de litros de água de esgoto que o mundo produz todo dia.

    Por que precisamos de um sistema de tratamento de esgoto?

    Toda vez que você aperta a descarga ou lava alguma coisa na pia, você produz esgoto (também conhecido como dejeto). Uma pergunta que muitas pessoas podem fazer é: "por que simplesmente não despejamos o esgoto na terra, em casa ou em um rio mais próximo?". Existem três coisas importantes sobre o esgoto que farão com que você não queira jogá-lo no meio ambiente:
    1. Tem mau cheiro: se jogá-lo diretamente no ambiente, rapidamente surgirá o mau cheiro;
    2. Contém bactérias nocivas: o lixo humano contém naturalmente bactérias de coliformes (por exemplo, E. coli) e outras bactérias que podem causar doenças. Uma vez que a água é infectada por essas bactérias, ela se torna um risco à saúde;
    3. Ela contém sólidos suspensos e produtos químicos que afetam o ambiente, por exemplo:
      • o esgoto contém nitrogênio e fósforo que, sendo fertilizantes, favorecem o crescimento de algas; o crescimento excessivo das algas pode impedir a penetração da luz do sol e sujar a água;
      • o esgoto contém material orgânico que as bactérias no ambiente começarão a decompor; fazendo isso, essas bactérias consomirão oxigênio da água e a falta de oxigênio mata os peixes;
      • os sólidos suspensos no esgoto tornam a água escura e podem afetar a capacidade de respiração e visão de muitos peixes;
    O crescimento das algas, a redução do oxigênio e a escuridão destroem a capacidade de um rio ou lago de manter a subsistência de animais selvagens, e todos os peixes, rãs e outras formas de vida morrem rapidamente.
    Ninguém quer morar em um lugar que tem mau cheiro, bactérias fatais e que não suporta vida aquática. É por esse motivo que as comunidades constroem estações de tratamento de esgoto e impõem leis contra a liberação de esgoto bruto no ambiente.

    Tratamento privado: a fossa séptica

    Em áreas rurais, onde as casas ficam tão distantes umas das outras, a colocação de um sistema de esgoto é muito cara. Assim, as próprias pessoas instalam estações particulares de tratamento de esgoto. Elas são chamadas de fossas sépticas.
    Uma fossa séptica é simplesmente um grande tanque de concreto ou aço enterrado no quintal ou em algum outro ponto do terreno. O tanque pode conter 4 mil litros de água. Os dejetos entram no tanque por uma extremidade e saem pela outra. O tanque assemelha-se a esse, em seção transversal:
    Nessa figura, você pode ver três camadas: tudo que flutua sobe à superfície e forma uma camada conhecida como camada de espuma. Tudo que for mais pesado que a água desce e forma a camada de lodo. No meio está a camada de água límpida. Este corpo de água contém bactérias e produtos químicos, como nitrogênio e fósforo, que agem como fertilizantes, mas não possui material sólido.
    Os dejetos entram no tanque séptico a partir dos tubos de esgoto da casa, como mostra a figura:

    Uma fossa séptica naturalmente produz gases (causados por bactérias que decompõem o material orgânico nos dejetos) que têm mau cheiro. As pias possuem tubos recurvados chamados de sifões, que se conservam cheios de água na curvatura inferior e impedem o retorno dos gases. Os gases passam por um tubo de ventilação - se você observar a cobertura de alguns edifícios, verá um ou mais tubos de ventilação aparecendo.
    À medida que a nova água entra no tanque, a água que lá havia é escoada. Essa água sai do tanque séptico em direção a um campo de drenagem. Um campo de drenagem é feito de tubos perfurados enterrados em valas cheias de cascalhos. O diagrama a seguir mostra de cima uma casa, um tanque séptico, uma caixa de distribuição e um campo de drenagem:


    Um tubo típico do campo de drenagem possui 10 cm de diâmetro e fica enterrado em uma vala com aproximadamente 1,5 m de profundidade e 0,6 m de largura. O cascalho preenche o fundo da vala, de 0,6 m a 0,9 m, e o lodo cobre o cascalho, como mostra a figura:
    A água é lentamente absorvida e filtrada pela terra no campo de drenagem. O tamanho do campo de drenagem é determinado conforme a quantidade de água absorvida pela terra. Em locais onde a terra é argilosa, que absorve a água lentamente, o campo de drenagem tem que ser muito grande.
    Um tanque séptico normalmente é movido apenas à gravidade. A água sai da casa para o tanque e vai do tanque para o campo de drenagem. É um sistema completamente passivo.
    Você pode ter ouvido que a grama está sempre mais verde em cima do tanque séptico. Na verdade, é o campo de drenagem, e a grama realmente fica mais verde - ela se beneficia da umidade e dos nutrientes do campo de drenagem.

    terça-feira, 31 de agosto de 2010

    Movimento CYAN convoca você para batalha em prol da água

    O Movimento CYAN, criado pela Ambev no último Dia Mundial da Água (22 de março) para proteger o nosso principal recurso natural (e que também é a principal matéria-prima dos produtos da companhia), está convocando neste momento pessoas como você para participarem de uma batalha do bem, em prol da preservação da água do planeta. Você está preparado?

    O Movimento CYAN foi um dos três cases citados pelo jornal Meio & Mensagem em reportagem sobre sustentabilidade nas empresas, e a batalha é um desafio lançado a jovens empreendedores com ideias inovadoras, e acontece no site Battle of Concepts (BoC), um projeto holandês que nasceu em 2006 e chegou ao Brasil no ano passado, mas já abriga desafios de grandes empresas como a Ambev. Para participar desta batalha pela água, basta ser criativo, ter menos de 30 anos e ser universitário ou jovem profissional com formação superior. Você vai precisar responder à seguinte pergunta: “qual a sua estratégia para engajar o maior número de pessoas no Movimento CYAN?”, apresentando sua estratégia, incluindo projetos, ações, mídias e outras iniciativas que funcionem para engajar o maior número de pessoas, empresas e governos à causa do uso racional da água, defendida pelo Movimento CYAN. Se a sua ideia for escolhida como a mais eficiente, você terá direito ao prêmio de R$ 15 mil.

    E então? Entusiasmado? Vai ser ótimo poder contribuir para a preservação da água no planeta, concorrer à premiação de R$ 15 mil e, o que é melhor, receber o reconhecimento por um trabalho tão importante e ganhar visibilidade junto às grandes empresas, não é? Então assista ao vídeo desta página e acesse os sites do Movimento CYAN e do desafio para saber mais detalhes, baixe o regulamento aqui e depois clique aqui para enviar a sua ideia vencedora! Você vai precisar efetuar um rápido cadastro, claro. Você tem até o dia 12 de novembro para participar. Boa sorte, para você e para a água!

    quinta-feira, 26 de agosto de 2010

    "Água em pó" pode ser a salvação do meio ambiente


    É uma substância absolutamente incomum, mas com potencial para ser quase tão útil quanto sua irmã mais molhada.


    A água em pó, ou "água seca", poderá ser usada para absorver e armazenar o dióxido de carbono (CO2), o gás de efeito estufa que contribui para o aquecimento global.

    Usos da água em pó

    Mas o pó brilhante, parecido com açúcar, parece promissor para uma série de outros usos. Por exemplo, na química verde, como um componente mais ambientalmente amigável para acelerar as reações químicas utilizadas para fabricar inúmeros produtos.

    A técnica de fabricação da água em pó também poderá ser empregada para acondicionar e transportar líquidos industriais perigosos, que poluem o meio ambiente e causam grandes transtornos quando acontecem acidentes com vagões e caminhões que os transportam.

    "Não há nada parecido como ela," disse Ben Carter, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, ao apresentar a água em pó durante a reunião da Sociedade Norte-Americana de Química. "Mas temos esperanças de ver a água seca fazendo grandes ondas no futuro."

    O que é água seca


    Carter explicou que a substância ficou conhecida como água seca porque ela consiste em 95 por cento de água e, ainda assim, é um pó seco.

    Cada partícula do pó contém uma gota de água cercada por sílica modificada - a sílica, ou óxido de silício, é o principal componente da areia de praia. O revestimento de sílica impede que as gotas de água se combinem e voltem a formar um líquido.

    O resultado é um pó fino, com propriedades que o tornam capaz de absorver grandes quantidades de gases, que se combinam quimicamente com as moléculas de água para formar o que os químicos chamam de hidrato.

    Estranha quanto possa parecer, a água seca, ou água em pó, não é algo novo. Ela foi criada em laboratório em 1968, mas a dificuldade de fabricação manteve-a restrita a uma curiosidade científica. Em 2006, cientistas da Universidade de Hull, também no Reino Unido, resolveram estudar sua estrutura.

    A partir de então, o grupo do professor Andrew Cooper, do qual Carter faz parte, tem-se dedicado a aprimorar as técnicas de fabricação da água seca e encontrar usos industriais para ela.

    Metano e química verde

    Um dos usos mais promissores envolve o uso da água seca como um material de armazenamento de gases, incluindo o dióxido de carbono. Em escala de laboratório, os pesquisadores descobriram que a água seca absorve mais de três vezes mais dióxido de carbono do que a água comum com sílica.

    Esta capacidade de absorver grandes quantidades de dióxido de carbono na forma de um hidrato pode tornar o pó de água útil para ajudar a reduzir o aquecimento global, sugerem os cientistas.

    A água seca também é útil para o armazenamento de metano, um componente do gás natural, o que ajudar a expandir a sua utilização como fonte de energia no futuro. Os cientistas acenam com a possibilidade de usar o pó para coletar e transportar gás natural de depósitos economicamente inviáveis.

    Esse hidrato de metano existe de forma natural no fundo do oceano, sob uma forma de metano congelado mais conhecida como "gelo que queima".

    A água em pó também pode fornecer uma maneira mais segura e mais conveniente para armazenar o metano para seu uso como combustível em automóveis.

    Com interesse para a indústria química, os cientistas demonstraram que a água seca é um meio promissor para acelerar reações catalisadas entre o hidrogênio e o ácido maleico para produzir ácido succínico, uma matéria-prima usada na fabricação de medicamentos, alimentos e outros bens de consumo.

    Os cientistas agora estão procurando parceiros comerciais e acadêmicos para desenvolver a tecnologia da água seca e, finalmente, fazê-la chegar ao mercado.

    Redação do Site Inovação Tecnológica - 26/08/2010
    Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=agua-em-po-agua-seca&id=010160100826

    terça-feira, 24 de agosto de 2010

    ICID+18 - 2010

    A Segunda Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semiáridas - ICID será realizada em agosto de 2010, no Centro de Convenções do Ceará, em Fortaleza. A Conferência visa a alcançar os seguintes objetivos

    •Reunir participantes do mundo inteiro para identificar e focalizar ações nos desafios e oportunidades que enfrentam as regiões áridas e semiáridas do planeta;
    •Atualizar o conhecimento sobre assuntos concernentes a essas regiões nos últimos 20 anos: aspectos ambientais e climáticos (variabilidade e mudanças), vulnerabilidades, impactos, respostas de adaptação e desenvolvimento sustentável;
    •Explorar sinergias entre as Convenções das Nações Unidas no que concerne ao desenvolvimento de regiões semiáridas; e
    •Gerar informações para subsidiar governos e a sociedade com o objetivo de melhorar a sustentabilidade econômica, ambiental e social de regiões semiáridas.

    A ICID pretende aguçar o foco no desenvolvimento sustentável das regiões semiáridas do mundo, a fim de acelerar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (MDG), para reduzir vulnerabilidade, pobreza e desigualdade, melhorar a qualidade dos recursos naturais e promover o desenvolvimento sustentável.

    Em apoio à provável Rio+20 (2012), a ICID vai convocar as partes envolvidas ao redor do mundo para identificar e focar ações em desafios e oportunidades para um futuro melhor nas regiões áridas e semiáridas do mundo. O objetivo da ICID é alavancar o melhor efeito de desenvolvimento possível das convenções existentes das Nações Unidas e prover informação e orientação para governos e todos envolvidos visando a melhorar a sustentabilidade ecológica e social em terras áridas e semiáridas.

    O principal evento da ICID vai ser um encontro em agosto de 2010, que reunirá governos, sociedade civil e especialistas para avaliar e articular as necessidades e oportunidades das regiões semiáridas do mundo. Estudos de políticas comparativas e de síntese vão ser preparados com antecedência à ICID, abordando três temas de regiões semi-áridas: 1) informação climática e ambiental, 2) segurança humana, bem-estar e desenvolvimento humano, e 3) processos de políticas públicas.

    Em preparação para o principal evento da conferência, a ICID vai coordenar pesquisas e análises em torno de 'clusters' temáticos. A ICID vai encomendar sínteses individuais e estudos transversais, artigos de pesquisa baseados em estudos de casos e conjuntos de estudos comparativos organizados em torno de temas e sub-temas da ICID. Esses estudos vão ser organizados em painéis e grupos de trabalho focados em sintetizar os achados e em gerar recomendações. Os achados de sínteses seletas e de estudos comparativos também estarão presentes no plenário como parte do processo de priorizar recomendações, de definir uma agenda de ação e de elaborar uma declaração da ICID.

    A ICID também vai produzir um volume sobre Clima, Vulnerabilidade e Adaptação em Terras Áridas e Semiáridas, um sumário de políticas resumindo as principais conclusões e recomendações, um procedimento com os estudos preparatórios, relatórios de grupos de trabalho e a declaração da ICID. O processo da ICID vai aproveitar o conhecimento aprofundado das ciências sociais e naturais e desenvolver as redes para ajudar a alavancar mudanças políticas e ação no terreno. Em resposta a um grande clamor por pesquisas de ciências sociais sobre oportunidades e problemas relacionados a mudanças climáticas, a ICID deve envolver uma ampla gama de cientistas sociais - de antropólogia, enconomia, história, ciências políticas, sociologia - no estudo de consequências e respostas a variações e mudanças climáticas e ambientais.

    Os processos e principais conclusões e recomendações da ICID vão ser oferecidos como contribuição para apoiar a execução das Convenções das Nações Unidas sobre Biodiversidade, Mudança Climática e Desertificação, e vão provavelmente ser apresentados na Rio+20 (caso esse encontro se confirme) e serão especialmente apresentados a governos e instituições com papel no desenvolvimento de regiões semiáridas ao redor do mundo.

    A Conferência visa a alcançar os seguintes objetivos:

    •Reunir participantes do mundo inteiro para identificar e focalizar ações nos desafios e oportunidades que enfrentam as regiões áridas e semiáridas do planeta;
    •Atualizar o conhecimento sobre assuntos concernentes a regiões semiáridas nos últimos 20 anos: aspectos ambientais e climáticos (variabilidade e mudanças), vulnerabilidades, impactos, respostas de adaptação e desenvolvimento sustentável;
    •Explorar sinergias entre as Convenções das Nações Unidas no que concerne ao desenvolvimento de regiões semiáridas; e
    •Gerar informações para subsidiar os governos e a sociedade com o objetivo de melhorar a sustentabilidade econômica, ambiental e social de regiões semiáridas.


    Para mais informações acesse: http://www.icid18.org/index.php?locale=pt&m=conteudo&a=icid

    Hidropirataria na Amazônia, um delírio


    Há anos o fantasma da hidropirataria ronda cabeças no Brasil. Embora seja contada como uma história quase policial, a hidropirataria é um delírio que, em vez de contribuir para maior valorização da água, acaba desviando a atenção de problemas reais, como a insuficiente abertura da rede de água tratada para as populações amazônicas, o índice mais baixo do Brasil.

    A história, tema recorrente na mídia, conta que grandes navios-tanque vêm até o Rio Amazonas, ora próximo a Manaus, ora na sua foz, para roubar água do território brasileiro e levá-la para países sedentos. À primeira vista, a hidropirataria nos revoltaria e teríamos, evidentemente, de tomar providências contra a atividade. Entretanto, essa história não encontra fundamento, posto que as leis da economia, de forma indistinta, regem os interesses de todas as atividades comerciais.

    Em valores atuais, 1 m3, ou 1 tonelada de água, custa entre US$ 0,25 e US$ 0,50 por dia para ser transportado em navios de grande porte para granéis líquidos. Qualquer viagem para um dos chamados "países com sede", localizados no Caribe ou no Oriente Médio, por exemplo, demoraria vários dias, ao que se impõe uma realidade importantíssima: o custo da água atingiria valores superiores a US$ 3 por m3 para uma viagem de 10 dias a 13 dias, mais os custos de tratamento para torná-la potável, ao redor de US$ 0,40/m3. Esses valores nos mostram a impossibilidade do comércio mundial de água bruta para abastecimento público utilizando-se o transporte marítimo, porque os custos do frete de granéis líquidos tornam a atividade inviável em distâncias superiores a 500 km.

    A realidade que está resolvendo a sede dos países é a dessalinização e o reúso, que, com tecnologia e escala, operam a custos cada vez menores. Em Israel, três plantas dessalinizadoras (Ashkelon, Hadera e Sorek), no modelo de parcerias público-privadas (PPPs), fornecem água potável a 3,5 milhões de pessoas a um custo médio de US$ 0,60/m3. Dessa maneira, Israel, dentro de alguns anos, não vai mais comprar água da Turquia, o único caso conhecido de transporte de água em navios-tanque e que, apesar da distância de apenas 600 km, está perdendo toda viabilidade econômica.

    Existem hoje cerca de 380 plantas de dessalinização em todo o mundo. No Brasil há apenas uma pequena unidade, funcionando na Ilha de Fernando de Noronha, que opera ao custo de US$ 1/m3. É interessante ressaltar que nem para Fernando de Noronha compensaria levar água em navios-tanque.

    Existe, sim, um comércio de água entre países, de características muito limitadas, que ocorre por aquedutos, como, por exemplo, entre Lesoto e África do Sul, Malásia e Cingapura, Turquia e Chipre. Por outro lado, o Brasil, o país mais rico do mundo em água doce, começa a se beneficiar coma exportação de água, mas não na sua forma líquida, e sim da maneira que se convencionou chamar de água virtual, aquela que é exigida para a produção de bens agrícolas ou industriais.

    Alguns produtos, como grãos, frutas, carnes, aço, papel, açúcar e álcool, demandam grandes quantidades de água para serem produzidos e muitos países já encontram dificuldades ambientais para a produção desses produtos e, por isso, precisam importá-los de países com água e solo em abundância, como o Brasil, por exemplo.

    Provavelmente a história da hidropirataria nasceu de uma confusão que se faz com a prática do uso da água como lastro para os navios. Sem o lastro o navio não tem segurança, navegabilidade nem equilíbrio para a viagem, operações e manobras necessárias. A água de lastro é bombeada para dentro e para fora dos navios, de acordo com a necessidade operacional. Essa prática rotineira tem trazido ao mundo problemas expressivos por causa da introdução de organismos invasores que passam pelos filtros da rede e das bombas de lastro.

    Atualmente, cerca de 5 bilhões de toneladas de água são movimentadas por ano entre diferentes regiões do globo. Estimam-se em US$ 100 bilhões por ano os prejuízos globais causados por espécies invasoras na água doce levadas de um continente a outro. Os Estados Unidos gastam por ano cerca de US$ 10 bilhões, principalmente por causa do mexilhão zebra (Dreissena polymorpha).

    No Brasil, há cerca de dez anos, foi introduzido o mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), trazido por navios do Sudeste Asiático à Bacia do Prata. Para tentar prevenir o flagelo mundial provocado pela introdução de espécies exóticas a Organização Marítima Internacional (IMO), a agência das Nações Unidas responsável pela segurança da navegação e prevenção da poluição marinha, adotou, desde 2004, uma nova Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimento de Navios.

    Ainda que o transporte de água doce por navio fosse economicamente viável, quem o fizesse estaria contrariando o principal pressuposto dessa convenção, que é despejar no mar a água doce de lastro trazida de qualquer país, antes de retornar, para evitar a contaminação.

    Esforços têm sido intensificados para fiscalizar a água de lastro em costas e portos brasileiros. Esperamos que o Brasil possa, num futuro breve, ser citado como um bom exemplo para os demais países, signatários ou não, da referida convenção.

    Portanto, problemas reais de água na Amazônia existem, sim, embora não despertem tanta atenção. Como, por exemplo, o fato de que na área mais rica de água doce do planeta cerca de 40% da população ainda não tem acesso a água tratada, o índice mais baixo no País, cuja média é de cerca de 10%. Esse é, sem dúvida, um fato incômodo e real, que deveria ser objeto de nossa preocupação.


    Antonio Felix Domingues - O Estado de S.Paulo
    Fonte: http://arquivos.ana.gov.br/imprensa/artigos/20100712_Hidropirataria_Felix.pdf

    quinta-feira, 19 de agosto de 2010

    Água Potável

    Apenas 3% das águas são doces

    Ronaldo Decicino*
    Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
     
    A água potável é um recurso finito, que se espalha em partes desiguais pela superfície terrestre. Se, por um lado, seu ciclo natural se responsabiliza pela sua manutenção tornando-a um recurso renovável, por outro, suas reservas são limitadas.
    A quantidade de água doce produzida pelo seu ciclo natural é hoje basicamente a mesma que em 1950 e que deverá permanecer inalterada até 2050. Essencial para a vida, a água doce tornou-se um problema em todos os continentes, levando a ONU (Organização das Nações Unidas) a criar em 2004 o Dia Mundial da Água - 22 de março.
    Preocupar-se com a escassez de água em um planeta que tem 75% de sua superfície coberta por água parece absurdo. No entanto, a maior parte desse volume encontra-se nos mares e oceanos - água salgada, imprópria para o consumo humano e para a produção de alimentos.
    Apesar de 75% da superfície do planeta ser recoberta por massas líquidas, a água doce não representa mais do que 3% desse total. Apenas um terço da água doce - presente nos rios, lagos, lençóis freáticos superficiais e atmosfera - é acessível. O restante está concentrado em geleiras, calotas polares e lençóis freáticos profundos, conforme mostra a tabela abaixo:


    Consumo de água

    Embora seja uma substância abundante em nosso planeta, especialistas alertam para um possível colapso das reservas de água doce, que vêm se tornando uma raridade em vários países. A quantidade de água no mundo permanece constante, ao passo que a procura aumenta a cada dia e, somada a essa, procura tem-se atitudes e comportamentos que vão do desperdício à poluição, resultando numa relação desigual entre natureza e seres humanos - enquanto as reservas de água estão diminuindo, a demanda cresce de forma dramática e em um ritmo insustentável.

    Referências Bibliográficas

    "A questão da água no Brasil e no mundo" - Nelson Bacic Olic - Revista Pangea Mundo;
    "A possível futura escassez de água doce que existe na Terra" - Rosana Camargo
    Encarte Folha Ciência - Folha de São Paulo 14/08/2002.
    Fonte: http://educacao.uol.com.br/geografia/ult1701u80.jhtm